Luiz Bento

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  • May 4, 2012
  • 06:00 AM
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Cientistas do clima: escutem mais antes de falar

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

  Fui surpreendido esta semana por um editorial no mínimo “forte” do periódico Nature Geoscience intitulado “Diálogos da mudanças climática”. O texto  demostra como a comunicação científica está cada vez mais em alta no meio acadêmico. Entre trechos “batidos” como dizer que os cientistas devem discutir mais o tema para o espaço vazio não ser [...]... Read more »

Editorial. (2012) Climate change dialogues. Nature Geoscience, 5(5), 301-301. DOI: 10.1038/ngeo1474  

  • May 2, 2012
  • 01:16 PM
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Ecologia: estamos trabalhando no lugar errado

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

    Está é a principal conclusão de um artigo publicado recentemente no periódico Frontiers in Ecology and the Environment. Laura Martin e colaboradores das universidades americanas de Cornell e Maryland fizeram um levantamento inédito na literatura sobre onde os artigos de Ecologia terrestre foram feitos. Os resultados confirmam uma velha máxima da Ecologia, que [...]... Read more »

  • January 7, 2011
  • 12:26 PM
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Ambientes aquáticos continentais: recalculando as emissões de metano

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

O planeta Terra passa por modificações graves na sua dinâmica climática. O homem tem importante papel nesse fenômeno, principalmente, pela a emissão de gases estufa para atmosfera. Entretanto, a própria natureza também emite tais gases normalmente, o homem é que desregulou este balanço ao começar a queimar combustíveis fósseis. Neste contexto, vários modelos matemáticos estão sendo desenvolvidos a todo momento para simular e, assim, estimar esta dinâmica de emissão e sequestro de gases estufa da atmosfera. Já adianto que este é ponto de maior polêmica nos estudos climáticos, pois dependendo das variáveis utilizadas e do peso que cada uma delas recebe, o resultado final dos modelos são diferentes. Por isso, escutamos tanta variação na estimativa de aumento da temperatura média do planeta. Cada modelo gera um resultado diferente, por isso, por vezes, é gerado uma estimativa média. É assim que a Ciência funciona. Nada mais é do que uma atualização de modelos que tentam explicar os fenômenos naturais. Na última edição da revista Science, foi publicado um trabalho que re-estimou a liberação de metano dos ambientes aquáticos continentais (lagoas, lagos, rios e áreas alagadas). É bem estabelecido na literatura que os ambientes terrestres funcionam como sumidouros de gases estufa, isto é, eles absorvem esses gases da atmosfera. Entretanto, os ambientes aquáticos continentais funcionam como interseção entre a atmosfera e o ambiente terrestre, visto que matéria orgânica produzida no ambiente terrestre, na maioria das vezes, encontra um ambiente aquático onde é decomposta. Esta decomposição emite gases e, dependendo das condições, gases com potencial estufa maior que o CO2 (por exemplo, metano e óxido nitroso).Uma das lagoas avaliadas pelo trabalhoModelos levam em conta o quanto o ambiente terrestre pode absorver de gases estufa da atmosfera, mas não estavam dando o peso certo para a contribuição dos ambientes aquáticos continentais no balanço de emissões. Este estudo mediu a emissão de metano em mais de 500 ambientes deste tipo pelo mundo, além de fazer medidas mais completa. Fato este não realizado antes devido a dificuldade de medir fluxos de metano diários em ambientes com características peculiares que dificultam o trabalho.Com isso, os pesquisadores concluíram que as emissões de metano dos ambientes aquáticos podem chegar a 0,65 Pg C (CO2 equivalentes) por ano (a unidade Pg é 1015g, lembrando que 106g é 1 tonelada). Contabilizando esse fluxo de metano em modelos recentes, a contribuição de sequestro de carbono por ambiente terrestre pode ser 25% menor. Isto é, essa emissão representa tem a capacidade de contrabalancear 25% do que as florestas sequestram por ano.Pro fim, parte desse trabalho foi realizado pela equipe do laboratório onde fiz meu mestrado. E tive contato com alguns dos autores. O que sempre foi muito bom. O primeiro autor é um sueco muito legal, sempre responde suas perguntas, por mais idiotas que elas possam ser.  Referência:Bastviken, D., Tranvik, L., Downing, J., Crill, P., & Enrich-Prast, A. (2011). Freshwater Methane Emissions Offset the Continental Carbon Sink Science, 331 (6013), 50-50 DOI: 10.1126/science.1196808 Read the comments on this post...

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Bastviken, D., Tranvik, L., Downing, J., Crill, P., & Enrich-Prast, A. (2011) Freshwater Methane Emissions Offset the Continental Carbon Sink. Science, 331(6013), 50-50. DOI: 10.1126/science.1196808  

  • November 10, 2010
  • 03:22 PM
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Salvem o cocô das baleias!

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

"Devagar - Baleia Cachalote". Placa em uma praia da Nova Zelândia. Cuidado onde você nada!Em setembro escrevi um post intitulado "Carbono carismático" onde cito um trabalho da PLOS One que trata da importância das baleias para o ciclo do carbono. Assunto que eu considerei mais como um bom tema para uma conversa de bar. Mas este mês saiu um artigo no periódico Proceedings of the Royal Society que coloca as baleias de uma forma diferente no ciclo do carbono dos oceanos.Diferente do estudo da PLOS One, Lavery e colaboradores trabalharam não com o carbono aprisionado em biomassa das baleias mas com um efeito mais indireto. O efeito das fezes das baleias no ciclo do carbono. Você pode estar pensando "Como assim o cocô de baleia pode ter um efeito no ciclo do carbono?". Pense duas vezes. Primeiro imagine o quanto uma baleia gera de cocô por ano. Sem cara de nojo. Agora multiplique pelo número de baleias cachalote (que foi a espécie estudada) presente em todo o Oceano Antártico. O número é relativamente grande, chegando a 50 toneladas de cocô por ano produzidas pelas 12 mil baleias cachalotes. Mas não é só a quantidade que faz a diferença. Imagine a entrada de matéria orgânica literalmente "fresquinha" em um oceano pobre em nutrientes, principalmente ferro. Ferro é um dos nutrientes mais limitantes a produção primária nos oceanos e o aporte deste nutriente de qualquer via pode ter efeitos significativos.Na ponta do lápis, descontando a respiração, os autores estimaram que as cachalotes podem contribuir para um balanço positivo de carbono, retirando 200.000 toneladas por ano da atmosfera. Parace um número gigantesco, não? Nem tanto. Para se ter uma ideia comparativa em 2005 os seres humanos colocaram na atmosfera 8.000.000.000 toneladas de carbono. Mesmo assim não podemos desprezar a importância do cocô de cachalote. Além da importância no ciclo do carbono ele é um belo exemplo de como a cadeia trófica é interligada, tendo elos que muita gente nem imagina.Referência Lavery, T., Roudnew, B., Gill, P., Seymour, J., Seuront, L., Johnson, G., Mitchell, J., & Smetacek, V. (2010). Iron defecation by sperm whales stimulates carbon export in the Southern Ocean Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 277 (1699), 3527-3531 DOI: 10.1098/rspb.2010.0863 Read the comments on this post...

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Lavery, T., Roudnew, B., Gill, P., Seymour, J., Seuront, L., Johnson, G., Mitchell, J., & Smetacek, V. (2010) Iron defecation by sperm whales stimulates carbon export in the Southern Ocean. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 277(1699), 3527-3531. DOI: 10.1098/rspb.2010.0863  

  • July 8, 2010
  • 06:21 AM
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Podemos confiar ou não na ciência do clima?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

"Eu amo minha torre de marfim". Camisa vestida por muitos cientistas. Pode ser comprada aqui.Essa semana saiu no periódico americano PNAS um artigo que fez um levantamento bem interessante sobre a credibilidade do tema Aquecimento Global no meio acadêmico. O artigo utilizou algumas métricas para comparar a quantidade de cientistas do clima que defendem o Aquecimento Global antropogênico (em que o principal causador seria o homem) e os que não defendem esta proposição. Para classificar estes dois lados foi utilizado um critério simples, a presença do nome de cientistas em cartas e relatórios abertos ao grande público em que esta posição era claramente declarada. Dentre relatórios do IPCC, cartas de sociedades científicas e outros, uma coisa que me chamou a atenção foi a utilização de um programa de TV como fonte destes nomes. O programa é o famoso "The Great Global Warming Swindle" ou "A grande farsa do aquecimento global", já discutido (e muito bem discutido) pelo Carlos Pacheco no Geófagos em três posts (Parte 1, parte 2 e parte 3).O resultado foi mais do que esperado. Segundo os autores, 97-98% dos cientistas do clima que mais publicam artigos em revistas científicas estão no grupo que defende o Aquecimento global antropogênico. Além disso, ainda segundo os autores do artigo, a "capacidade" e "proeminência" dos cientistas que não defendem o aquecimento global antropogênico é substancialmente menor do que os que defendem esta vertente. Os autores do artigo utilizaram como índice de "capacidade" de um cientista do clima o número de autorias e coautorias em artigos publicados em periódicos científicos "relevantes" (o que não foi bem definido no texto do artigo). Já como índice de "proeminência" foi utilizado o número de citações em cada artigo dentre os quatro artigos mais citados de cada autor. Resumo da ópera: os autores do artigo na PNAS utilizaram alguns índices para tentar checar a "credibilidade científica" dos cientistas do clima pesquisados. A busca foi feita no Google Acadêmico, ferramente que eu recomendo bastante.Tirando todos os problemas que uma análise baseada em algum tipo de métrica pode ter (ainda mais com uma base de dados deste tipo), consigo ver neste caso apenas a reafirmação de um padrão já estabelecido. Mas a questão principal continua sendo outra. Será que um chamado "consenso" (muito cuidado com este termo) na comunidade científica sobre determinado tema tem como resultado direto um melhor entendimento do grande público? Quanto maior o "consenso" científico maior a confiança do público sobre determinado tema? Um editorial do periódico Nature publicado na semana passada afirma que não. Escolhi alguns trechos para exemplificar esta visão:"(...)O problema é que as pessoas avaliam a informação por um grande número de fontes, não apenas cientistas. E as pessoas - políticos incluídos - tomam decisões com base nos interesses próprios e nas suas esperanças, medos e valores, que não coincidem necessariamente com o que muitos pesquisadores consideram auto-evidentes.(...) os cientistas devem evitar o hype e controlar os exageros sobre a ameaça do aquecimento global. Aqueles que procuram semear a dúvida sobre a prova sólida e ampla para o aquecimento global devem ser combatidos com fatos como uma questão de disciplina. Mas os temores legítimos e o ceticismo científico devem ser bem-vindos ao debate.A ciência não é completa e nunca será, mas é suficientemente robusto que as conclusões gerais não podem ser reduzidas por questões sobre qualquer dado pontual. Sob essa perspectiva, o fato de que os cientistas do clima não conseguem prever exatamente o quão ruim o impacto pode ser bem que poderia ser o melhor argumento para a ação."Este é o ponto. Não importa que 99,9% da comunidade científica concorda sobre um determinado problema. Não importa o quanto tentamos traduzir de forma simples os jargões científicos. Temos que tirar a ciência da estratosfera e trazer para o chão. Mostrar que a ciência é feita por pessoas reais e que existem incertezas. Acho importante mostrar que cientistas com "capacidade" e "proeminência" no meio científico defendem determinado tema. Mas isto não indica que não existem incertezas sobre o assunto. Basta que um meio de comunicação faça um especial de 1 hora mostrando os erros do IPCC que teremos um verdadeiro desastre em termos de divulgação científica por falta de conhecimento de como funciona a ciência em si. Precisamos o mais rápido possível sair da nossa torre de marfim e mostrar que ciência não está acima de todas as coisas, diferente dos dogmas religiosos.Referências:Anderegg, W., Prall, J., Harold, J., & Schneider, S. (2010). Expert credibility in climate change Proceedings of the National Academy of Sciences, 107 (27), 12107-12109 DOI: 10.1073/pnas.1003187107Editorial (2010). A question of trust Nature, 466 (7302), 7-7 DOI: 10.1038/466007a Read the comments on this post...

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Anderegg, W., Prall, J., Harold, J., & Schneider, S. (2010) Expert credibility in climate change. Proceedings of the National Academy of Sciences, 107(27), 12107-12109. DOI: 10.1073/pnas.1003187107  

Editorial. (2010) A question of trust. Nature, 466(7302), 7-7. DOI: 10.1038/466007a  

  • June 30, 2010
  • 08:10 PM
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Machos que choram tem mais relações sexuais

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Quem aqui não tem um amigo chorão, ou conhece algum homem que chora mais que o normal? Sempre tachamos esses camaradas como frescos, menininhas ou coisas bichinha. Mal sabemos nós. Isso nada mais é que uma estratégia para conseguirem mais parceiras sexuais. Bem, pelo menos em camundongos isso tem alguma probabilidade de ser verdade. Pesquisadores japoneses estudaram o ferormônio ESP1. Ele é secretado junto com as lágrimas do animal, e tem como produto um aumento na receptividade das fêmeas a esses machos chorões. Esses cientistas observaram que neurônios sensitivos, presentes em uma parte do aparelho respiratório do camundongo chamado órgão vomeronasal ou órgão do Jacobson, apresentam receptores do tipo V2Rp5 capazes de detectar o ESP1 e, a partir daí, estimular uma resposta comportamental na fêmea, fazendo com que ela arqueie (aumente a lordose) melhor suas costas permitindo um melhor "encaixe" na hora da cópula. Quando o ferormônio se liga no seu receptor nos neurônios presentes no aparelho respiratório da camundongo fêmea, é gerada uma transmissão de sinal para os núcleos amigdalóides e hipotalâmico do cérebro via o bulbo acessório olfatório.ESP1 fazendo efeito! Ah, moleque!!!Esse estímulo parece ser sexo-específico, isto é, só funciona com fêmea. O que é algo muito bom, pois imaginem um camundongo chorando e seus amigos ficando excitados e atraídos sexualmente por ele! Assista aos vídeos do grupo controle (sem exposição ao ferormônio) e o grupo com exposição ao ferormônio.Ferormônio são amplamente encontrados na urina de animais, vide a ação repetitiva de algumas espécies urinarem em todos os lugares para marcar território ou para detectar parceiros em época reprodutiva. Porém, ferormônio em lágrimas podem ser uma outra alternativa, visto que permanecem "presos" ao corpo do macho quando secam. Será que isso tem a ver com o comportamento dos camundongos esfregarem o rosto toda hora?Bem, só pelo efeito ser nas fêmeas e ainda ser de aumentar a receptividade sexual, ser chamado de chorão entre os camundongos deve ser um baita elogio. Esse tipo de efeito ainda não foi detectado em humanos. Mas acho que pode existir sim, pois é comum mulher achar bonitinho homem chorar. Será que é o ferormônio fazendo efeito?Quer conhecer nosso manual científico para fazer sucesso entre mulheres? Acesse:Quer ser mais atraente? Levante o braço como todo mundo!Quer ter sucesso entre as mulheres? Seja capaz de aprender mais rápido que seu concorrente!Referência: Haga, S., Hattori, T., Sato, T., Sato, K., Matsuda, S., Kobayakawa, R., Sakano, H., Yoshihara, Y., Kikusui, T., & Touhara, K. (2010). The male mouse pheromone ESP1 enhances female sexual receptive behaviour through a specific vomeronasal receptor Nature, 466 (7302), 118-122 DOI: 10.1038/nature09142 Read the comments on this post...

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Haga, S., Hattori, T., Sato, T., Sato, K., Matsuda, S., Kobayakawa, R., Sakano, H., Yoshihara, Y., Kikusui, T., & Touhara, K. (2010) The male mouse pheromone ESP1 enhances female sexual receptive behaviour through a specific vomeronasal receptor. Nature, 466(7302), 118-122. DOI: 10.1038/nature09142  

  • June 17, 2010
  • 07:41 PM
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Por uma pesquisa mais justa!

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Em alguns posts aqui deste blog, argumentei sobre o distanciamento entre a universidade a sociedade civil. Os pesquisadores ficam (na sua maioria) dentro de seus laboratórios fazendo pesquisa, gerando resultados e usando verba pública, acreditando que estão fazendo algo quase que religioso e que devem ser super valorizados. Entretanto, pouco de que produzem é apresentado a sociedade que os financia. Artigos científicos publicados em revistas internacionais são tão indecifráveis para o público geral, como são hieroglifos. Congressos são reuniões para públicos específicos. Entrevistas são raras. Artigos de divulgação em revistas ou jornais mais populares e algo inimaginável. Produzir conhecimento somente pelo prazer da pesquisa e do maior intelecto é algo muito bonito e apaixonante. Porém, fico um pouco fora de contexto em um mundo com tanta pobreza e desigualdade. O tempo da Academia de Platão já passou, não adianta acharmos que cientistas são deuses pagos para produzirem conhecimento para seus pares.Nesse contexto, vejo um editorial na Nature sobre a Fundação Nacional de Ciências (FNC) dos EUA. Para um projeto ser financiado pela FNC ele precisa conter uma parte que funciona como um "retorno direto para sociedade". Fora o conteúdo gerado pela pesquisa, o projeto pode gerar ciclos de palestras em Museus (aberto ao grande público), desenvolvimento de novos currículos e materiais didáticos (para os níveis fundamental e médio), produzir programas de iniciação científica para alunos não-graduados, ou mesmo dar o início a uma empresa especializada. Não existe projeto financiado somente pelo prazer de se produzir conhecimento. Se é para produzir, que seja DIVULGADO e APLICADO na sociedade em que o financiou."The criterion was established to get scientists out of their ivory towers and connect them to society" Palavras do "somente" diretor do FNC Arden BementE é ai que está o desespero dos cientistas. Por exemplo, um dos projetos teve como contrapartida a visitas semanais de três alunas de graduação, da professora coordenadora do projeto, a classes de aulas de escolas próximas a universidade para ensinarem sobre circuitos e eletricidade para crianças de 9 a 10 anos. Além, é claro, de sarem palestras sobre o projeto e a rotina dentro do laboratório. No final, os alunos não reconheciam essas estudantes como pesquisadoras, pois, para as crianças, pesquisadores são pessoas de cabelo branco, rabugentas e vestidas de jaleco branco.Outro exemplo, o projeto Molecularium financiado pelo Centro de Estudos de Nanoestruturas do FNC. Este projeto produz material didático sobre o mundo das nanoestrutras, além de ter produzido um filme de divulgação sobre o assunto. Além do Molecularium, engenheiros da universidade de Stanford trabalham com alunos de graduação e de ensino médio, ministrando workshops dentro de hospitais para levar aulas de ciência para pacientes que não podem ir a escola, além de ensinarem sobre a rotina dos instrumentos usados no hospital. Jogo sobre o mundo nanoEsse assunto é bastante polêmico, porém de grande relevância para o desenvolvimento de nossa sociedade. O despertar de interesse em qualquer tipo de atividade pode ser uma pequena ação pela qual um indivíduo passa na sua infância ou adolescência. Acho que o que me fez gostar de ciência foi ver o Mundo de Beakman e ter meu jogo de química. Crianças precisam de exemplos e de pessoas apaixonadas pelos seus trabalhos. Quem melhor que cientistas para essa missão? Que saiam de seus laboratórios. O estranhamento só é gerado quando saímos de nossa zona de conforto, quem sabe os próprios pesquisadores sejam os que mais tem a ganhar com isso. Fica a dica para o CNPq e outros órgãos de financiamento de pesquisas.Referência: Lok, C. (2010). Science funding: Science for the masses Nature, 465 (7297), 416-418 DOI: 10.1038/465416a
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  • May 31, 2010
  • 04:50 PM
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O elo que falta na conservação da biodiversidade

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Gostaria de repartir com vocês uma carta publicada na periódico Science no último dia 16 de abril. Andrew Beattie e Paul Ehrlich criticam um editorial publicado no mesmo periódico no dia 5 de março, intitulado "A Biodiversidade é nossa vida". Este editorial foi escrito por Julia Marton-Lefèvre, diretora geral da ONG suíça International Union for Conservation of Nature."O elo que falta na Conservação da BiodiversidadeO editorial de J. Marton-Lefèvre intitulado "A biodiversidade é a nossa vida" (5 de Março, p. 1179) não aborda o elo que faltava em recursos para a conservação da biodiversidade. Os conservacionistas têm duas mensagens para o público: (i) a perda de biodiversidade é trágica por causa da iminente extinção de espécies carismáticas de mamíferos, aves, anfíbios e plantas, e (ii) a biodiversidade é importante porque contribui para os serviços ecossistêmicos. Visivelmente ausente desses conceitos aparentemente díspares é a conexão entre eles: os muitos milhões de espécies nos diversos filos de invertebrados e micróbios, que representam talvez 95% do total das espécies e da biodiversidade genética. Estas espécies são menos propícias a ganhar a simpatia do público do que um sapo ou falcão, mesmo assim são elas (além de plantas) que mantêm a agricultura, silvicultura e pesca, os mesmos serviços ecossistêmicos que nos esforçamos muito para proteger, por mediação química do solo e geração de cadeias alimentares marinhas. Essencialmente, estas espécies também suportam as mais carismáticas. Podemos ligar os pontos para o público com uma nova mensagem, uma que nós gostaríamos de chamar de "biodiversidade produtiva": Ao proteger os micróbios e invertebrados, também protegemos as indústrias de base sobre a qual todos nós dependemos."Achei muito interessante esta carta pois ela trata de um tema já discutido aqui no blog no post "Salvem as lampreias!". Muitas vezes o discurso dos ambientalistas se torna vazio por tratar apenas das espécies mais "simpáticas", como ressaltados pelos autores da carta. Muitos dizem que é a maneira mais fácil de atingir ao público, mas nem sempre o mais fácil é o mais duradouro, o que realmente mudará a concepção das pessoas. Outros passam a mensagem de devemos salvar todas as espécies pois todas elas tem um valor intrínseco (discuti um pouco deste tema no Podcast do SBBr sobre o incêndio no Instituto Butantan). Claro que todas as espécies tem o direito de viver, mas uma discussão sobre conservação das espécies que tem como base o valor intrínseco acaba perdendo o sentido já que não podemos salvar todas as espécies.Na minha visão a carta tem o seguinte significado: devemos investir em educação das pessoas sobre a real importância ecossistêmica das espécies. Assim todos compreenderão que muitos organismos que a maior parte do público nem conhece tem um valor ecossistêmico muito mais alto do que os bonitos e fofos ursos panda, urso polar, micos, araras...Sem entender a real importância da biodiversidade para o funcionamento dos ecossistemas a "consciência ecológica" do grande público é passageira, como qualquer outra moda.Referências:Beattie, A., & Ehrlich, P. (2010). The Missing Link in Biodiversity Conservation Science, 328 (5976), 307-308 DOI: 10.1126/science.328.5976.307-c Marton-Lefevre, J. (2010). Biodiversity Is Our Life Science, 327 (5970), 1179-1179 DOI: 10.1126/science.1188424 Read the comments on this post...

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Marton-Lefevre, J. (2010) Biodiversity Is Our Life. Science, 327(5970), 1179-1179. DOI: 10.1126/science.1188424  

  • May 3, 2010
  • 09:31 AM
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Ecologia de doenças infecciosas podem reforçar condições de pobreza humana?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Nosso planeta passa por uma grande revolução, onde novas tecnologias são descobertas a todo momento. No geral, elas buscam basicamente melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, sendo que o resultado tem sido bastante positivo. Bem, positivo para quem? Isso mesmo! As benécies de tais avanços são dividas somente por uma parcela mínima da população. A grande massa não vê nunca o resultado de tais tecnologias na tentativa de aumento de sua qualidade de vida.Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com menos de 1 dólar por dia, isto representa o grau de pobreza extrema definido pela ONU. Um sexto da população mundial é bem mais pobre do que seus antepassados eram a algumas poucas gerações atrás. Nesse contexto, várias são as explicações do porquê da existência da pobreza. Diante disto, surge o conceito de armadilhas de pobreza: qualquer mecanismos que por si só reforce a pobreza de forma cíclica. Por exemplo, uma pessoa pobre tem essa característica, mas essa característica reforça a condição de pobreza desta pessoa, sendo que são necessários formas de intervenção para que este ciclo seja quebrado e a pessoa saia da condição de pobreza.No artigo Poverty trap formed by the ecology of infectious diseases pesquisadores de centros de pesquisas americanos discutem como doenças podem funcionar como fatores que reforçam a condição de pobreza, isto é, uma armadilha de pobreza. Basicamente, o argumento consiste de que populações mais pobres estão mais suscetíveis a doenças infecciosas (tais como HIV/AIDS, malária, episódios de diarreia, infecções parasitárias e outros) que, por afetarem negativamente ou pela sua morbidade ou pelo declínio capacidades cognitivas e desenvolvimento (por serem doenças crônicas, afetam a nutrição e por conseguinte o desenvolvimento cognitivo e no mercado de trabalho). Sendo assim, a influência que a saúde exerce na pobreza e a que a pobreza exerce na saúde implica em um feedback positivo, reforçando a situação de pobreza dos que já são pobres.Os agentes infeccioso, apesar não serem os únicos principais causadores de mortes entre os mais pobres, sempre aturaram como uns dos mais implacáveis forças de seleção da evolução humana. Grandes epidemias e pandemias já dizimaram quantidades absurdas de pessoas. E como sabemos, o resultado final seleção natural é visto pelo sucesso reprodutivo de um indivíduo (seja ele da espécie que for). Sendo assim, como em qualquer outro modelo ecológico, a dinâmica das doenças infecciosas é não-linear (afeta de maneira diferente, partes distintas da população) exercendo, assim, grande influência na dinâmica populacional da espécie humana também.Isto nos mostra como as decisões do poder público podem ser também agentes auto-perpetuadores da pobreza via a armadilha de pobreza das doenças infecciosas. Enquanto grandes investimentos são feitos nas áreas já minimamente desenvolvidas, regiões mais pobres do país são privadas de tais melhorias. Com isso, alimentando um ciclo de reforço da pobreza. Saber se o efeito da saúde na pobreza é mais significativo do que o efeito da pobreza na saúde não é o mais importante agora. A questão é atuar nas duas vias para que o ciclo de auto-alimentação se quebre a o desenvolvimento, tanto humano como econômico, possa chegar a essa parte carente de nossa sociedade. Saúde pública, além de ser um direito de qualquer cidadão, pode atuar como um importante fator de desenvolvimento econômico da população carente. Medidas paliativas de dar dinheiro para pessoas mais pobres são importantes a curto prazo (como dizia o Betinho, "quem tem fome tem pressa") entretanto, somente este tipo de política não vai levar ao desenvolvimento desta parcela. É necessário investimentos sérios em controle epidemiológico destas doenças. Entretanto, pesquisas sobre doenças tropicais tem sido negligenciadas em grande parte por não terem o tal "apelo" no cenário científico global. Muito se investe em doenças com prevalências muito baixas, enquanto doenças que matam brasileiros pobres a centenas de anos são esquecidas na hora dos grandes investimentos. Editais para pesquisa em doenças negligenciadas são raros e não chegam perto do apelo financeiro para outros tipos de enfermidades. Como sempre discuto nesse blog, estamos fazendo pesquisa para quem? Quem nos paga está recebendo algum produto? Crianças morrendo por causa de diarréia, esquistossomose ou cólera, entre outros, estão recebendo algum tipo de retorno do dinheiro investido em pesquisa em nosso país? Se pela via do direitos humanos não conseguimos ajuda pela causa dessas pessoas, será que pela via do desenvolvimento econômico podemos sensibilizar os governantes de nosso país por uma maior atenção a essa parcela da população? É viver para ver...Referência:


Bonds, M., Keenan, D., Rohani, P., & Sachs, J. (2009). Poverty trap formed by the ecology of infectious diseases Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 277 (1685), 1185-1192 DOI: 10.1098/rspb.2009.1778 Read the comments on this post...

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Bonds, M., Keenan, D., Rohani, P., & Sachs, J. (2009) Poverty trap formed by the ecology of infectious diseases. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 277(1685), 1185-1192. DOI: 10.1098/rspb.2009.1778  

  • February 5, 2010
  • 12:08 PM
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Abelhas podem regular sua temperatura interna como os mamíferos e aves?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Não se assuste. O exemplo clássico que aprendemos no colégio está correto. Mamíferos e aves são normalmente utilizados nos exemplos de animais que buscam a homeostase de forma ativa (com gasto de energia). A homeostase é a capacidade de um organismo manter condições internas constantes diante de um ambiente externo variável. Chamamos estes organismos que mantém a homeostase através da geração de calor corporal interno de endotérmicos. Organismos como répteis e as abelhas (e todos os outros insetos) normalmente são classificados como ectotérmicos, que ajustam a sua temperatura interna através do comportamento. Tenho certeza que você já escutou falar do termo "largatear", que significa ficar estendido deitado, sem pressa, como os répteis costumam fazer debaixo do sol para aumentar a sua temperatura interna.  Vai um protetor solar aí? Acho que não precisa... Cédito: ingridtaylarMais é claro que a natureza é um pouco mais complexa e o limite que colocamos nas nossas classificações nem sempre são seguidos a risca pelos outros animais, como no caso as abelhas. O comportamento de grupo destes animais é tão interessante que chega a formar uma linguagem própria (como a famosa "Dança das abelhas", já comentada no blog aqui) e até controlar a temperatura interna de uma colméia inteira, submetida a uma variação externa de temperatura. Controlar de forma verdadeira, aumentando a geração de calor interno em várias abelhas que resultam no aumento de temperatura da colméia como um todo. Mas pera aí. As abelhas não eram classificadas como ectotérmicas, dependendo apenas de aspectos comportamentais para aumentar a sua temperatura interna? Era o tipo de controle de temperatura mais estudado. As abelhas apenas controlariam a temperatura da colméia em conjunto, sem aumentar a temperatura de cada abelha, separadamente. Pesquisadores da Áustria mostraram através de uma interessante metodologia que a história não é bem assim.Precisamos comprar um aquecedor urgente. Crédito: PLoS OneCom a ajuda de uma câmera que enxerga e mede diferenças de temperatura (processo chamado de termografia), Stabentheiner e colaboradores conseguiram não só constatar o importante papel individual das abelhas na geração de calor para uma colméia, como descobrir que existe uma importante variação em quais abelhas produzem mais calor de forma interna. Quando há uma variação de temperatura externa da colméia, pode haver uma reorganização na quantidade de abelhas responsáveis pela produção de maior parte do calor. Normalmente são as abelhas mais velhas as responsáveis pela regulação da temperatura da colônia, já que há um gasto de energia muito grande neste processo. O aumento de temperatura interna das abelhas se dá através dos músculos toráxicos responsáveis o voo. Assim, cada abelha pode aumentar a sua temperatura interna e contribuir com a regulação da temperatura de toda a colméia, um trabalho de grupo que mantém a temperatura em um ótimo por volta de 33 e 36 graus Celsius.A importância deste estudo está na abordagem individual de um processo que normalmente é estudado pelo conjunto de abelhas como um todo, o "super organismo". Fatores ambientais relacionados a colméia inteira continuam tendo certa importância na termorregulação das abelhas. Mais o papel individual se torna incontestável. É por essas e outras que os animais sociais são sempre um tema tão interessante para os biólogos.Referência:Stabentheiner, A., Kovac, H., & Brodschneider, R. (2010). Honeybee Colony Thermoregulation - Regulatory Mechanisms and Contribution of Individuals in Dependence on Age, Location and Thermal Stress PLoS ONE, 5 (1) DOI: 10.1371/journal.pone.0008967 Read the comments on this post...

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  • February 4, 2010
  • 07:04 AM
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Doenças podem mudar o seu cheiro?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia


No livro o Gene Egoísta, Dawkins comenta sobre o efeito que o gene pode ter fora do corpo que o contém, podendo alterar o fenotipo de outros organismos, podendo ser até de uma outra espécie. O artigo que comentarei agora me lembrou isso.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudando a influência do virus do mosaico de côco (VMC) nas suas plantas hospedeiras (abóbora, agora não me pergunte o porquê disso, sendo o côco a planta que vem no nome). Existem dois tipos de comportamento de virus que infectam plantas: o primeiro, chamado de persistente, consiste na planta infectada ficar mais atrativa para afídeos, que ao se alimentar da seiva se contaminam (o virus fica fica residindo na glândula salivar do inseto, após passar pelo seu sistema digestório) e, com isso, podem infectar novas plantas mais tarde; e o segundo, chamado de não-persistente, causa depauperação (as folhas ficam murchinhas), com isso as plantas ficam menos atrativas para os afídeos, além de do virus ficar preso ao aparelho bucal do inseto, sendo necessária que o animal se alimente rapidamente em outra planta para haver a dispersão. Com isso, virus não-persistente devem estimular as plantas a mudarem as substâncias que elas exalam para que o inseto seja repelido o mais rápido possível após se contaminar.  
O VMC atua extamente desta maneira, apesar de estar aparentemente "feia", a planta exala grande quantidade de compostos que enganam estes insetos. Pelo o odor e a distância do inseto, parecem estar em perfeita saúde. Mas, ao chegar na planta, o afídeo se alimenta rápido e logo sente que há algo de podre no reino da Dinamarca. Porém, ele já está infectado e parte para outras plantas dispersando rpidamente o virus.  
 
 Planta não infectada e infectada pelo CMV (A e B, respectivamente) e a presença de duas espécies de afídeos nelas  
 
Sendo assim, o conjunto de genes que favoreça que o virus a estimular este comportamento nas plantas serão selecionados (admitindo-se que virus estejam sob influência da seleção natural). Só que o alvo desses genes não está no fenótipo do virus (por exemplo, um capsideo mais resistente, ou uma nova fomra de infecção), mas sim no fenótipo da planta (exalará outros tipos de substâncias odoríferas).
Essa mudança de odor de indivíduos infectados é observada em outras doenças também. Por exeplo, hamsters infectados por leishmania atraem mais mosquitos-palhas (vetores da doença) do que indivpiduos saudáveis. Até mesmo em humanos esse comportamento foi verificado, onde crianças infectadas pelo Plasmodium falciparum (causador da malária) atraem mais mosquitos que crianças saudáveis. Desse modo, entender a evolução da interação entre agente, hospdeiro e vetor é de extrema importância para o entendimento de doenças desse tipo.
 
Referência:
Mauck, K., De Moraes, C., & Mescher, M. (2010). Deceptive chemical signals induced by a plant virus attract insect vectors to inferior hosts Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0907191107
Artigo também comentado no Wired Science Read the comments on this post...

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  • December 19, 2009
  • 08:00 AM
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Como cessar o desmatamento na Amazônia: será que isso acontecerá?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Diante deste cenário desolador da COP-15, esta semana foi publicado um artigo na revista Science com diretrizes que o Brasil deve tomar para acabar com o desmatamento na Amazônia. Como se sabe, 80% das emissões de gases estufa do Brasil são advindos do desmatamento (queimadas ou derruba de árvores) da floresta. Uma primeira ação foi a criação do fundo Amazônico. Este fundo tem como objetivo captar investimentos para prevenção do desmatamento e estímulo da conservação e uso sustentável da floresta. Quem vai administrar o dinheiro que entrar é o BNDES e, no primeiro momento, a Noruega já investiu 1 bilhão de dólares. A segunda ação é a exclusão da cadeia de suprimentos do mercado de carne bovina e de soja de fornecedores que desmatem aéreas de floresta. Com estas duas ações, o estudo indica que é possível acabar com o desmatamento na floresta amazônica e com isso reduzir entre 2-5% das emissões globais de gases estufa.Gráfico com o possível cenário de fim do desmatamento em 2020Para quem acha que isso é um número desconcertante, o Brasil entre 1996 e 2005 desmatou a uma taxa de 19.500 Km2/ano. Essa conversão em pasta e áreas de cultivo liberou para atmosfera entre 0,7-1,4 GtCO2e (gigatoneladas de CO2 equivalente) por ano para atmosfera. Em 2008, na criação do fundo amazônico, nosso país se comprometeu a reduzir o desmatamento em 20% da taxa histórica (1996-2005) até 2020. Além disso, o estudo indica a necessidade da compensação financeira dos povos nativos da floresta quando estes mantiverem, em suas propriedades, áreas de preservação.  Por uma bagatela de aproximadamente 12 bilhões de dólares para serem investidos entre 2010 e 2020 para o possível término do desmatamento nesta região, o estudo também revela que esta ação poderá gerar receitas entre 37-111 bilhões de dólares. Porém, os próprios pesquisadores admitem que seria "uma façanha extraordinária e extremamente difícil, talvez única na história do avanço de fronteiras agropecuárias".Diante do fracasso da COP-15, onde Obama somente repetiu o que o mundo todo já sabia e continuou seu jogo de empurra com a China, o presidente Lula fez um discurso histórico. Lembrando ao mundo os 200 anos de emissões descontroladas dos países desenvolvidos e suas resistências em querer mitigar o probelma que causaram. Assisti também uma entrevista do ministro Carlos Minc desesperado em tentar conseguir pelo menos um pequenino acordo entre alguns países, mas, como ele mesmo repetiu 4 vezes, acordo este muito aquém do que o IPCC recomenda como mínimo de redução do emissões para as temperaturas globais não subiram acima dos assustadores 4°C. Como já discutido aqui neste blog, a COP-15 tende ao fracasso absoluto, os grandes líderes mundiais não chegaram a nenhum acordo devido interesses econômicos. Que venham mais conferências inúteis como essa! Quem sabe um dia algo sério seja firmado.    Referência:Nepstad, D., Soares-Filho, B., Merry, F., Lima, A., Moutinho, P., Carter, J., Bowman, M., Cattaneo, A., Rodrigues, H., Schwartzman, S., McGrath, D., Stickler, C., Lubowski, R., Piris-Cabezas, P., Rivero, S., Alencar, A., Almeida, O., & Stella, O. (2009). The End of Deforestation in the Brazilian Amazon Science, 326 (5958), 1350-1351 DOI: 10.1126/science.1182108 Read the comments on this post...

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Nepstad, D., Soares-Filho, B., Merry, F., Lima, A., Moutinho, P., Carter, J., Bowman, M., Cattaneo, A., Rodrigues, H., Schwartzman, S.... (2009) The End of Deforestation in the Brazilian Amazon. Science, 326(5958), 1350-1351. DOI: 10.1126/science.1182108  

  • December 1, 2009
  • 02:20 PM
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Quer ter sucesso entre as mulheres? Seja capaz de aprender mais rápido que seu concorrente

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

O valor evolutivo da intelegência sempre foi foco de grande interesse. A maioria das mulheres tem a inteligência como um atributo que seu pretendente deve ter para conquistá-la. Shohet e Watt (Universidade de Shffield) realizaram um estudo onde avaliaram a capacidade de aprendizagem de diferentes indivíduos de peixes e testaram se isso tem alguma influência na escolha destes por fêmeas de sua espécie. A espécie usada foi a Poecilia reticulata o famoso Guppy (ou lebiste). Esta espécie é conhecida no meio científico por reconhecer e lembrar de indivíduos do seu grupo, bem como adquirir e usar informações na escola de parceiros e na busca por alimentos. Mas como testar a inteligência dos machos? Não foi com o uso de testes de QI. Os pesquisadores usaram labirintos em aquários, nos quais, ao final da rota, o peixe poderia encontrar alimento. Durante alguns dias, o tempo levado pelo peixinho para encontrar comida nos dois labirintos foi cronometrado. Esta medida indica a capacidade de aprender o caminho para comida nos dois cenários, com isso, machos que demoram menos tempo com o passar dos dias teriam uma capacidade de aprendizagem maior (mais inteligentes). Esta capacidade seria de grande valia na natureza, pois peixes mais inteligentes aprenderiam mais rápido a nadar pela correnteza dos rios, sendo assim mais eficientes na busca por alimentos e mais ágeis na fuga de predadores. Se alimentando melhor, teriam maior tamanho corporal e manchas laranjas maiores (características que deixam as fêmeas dos gupps louquinhas!). Labirintos usados no experimentoE como é avaliado a atratividade de um macho em comparação aos outros? Quem respondeu que é somente ver o saldo bancário de cada um, errou feio. Foi montado um aquário retangular, sendo este dividido em três partes. Em cada uma das pontas ficava um macho que foi avaliado nos labirintos e, na parte central, foi colocada a fêmea. Em um combate de 10 minutos foi anotado a posição da fêmea a cada 15 segundos, assim, se ela ficasse mais interessada por um dos machos, seria percebido pela frequência de aproximação do lado do garanhão.Está comprovado graficamente: inteligentes são mais atraentes (pelo menos para os peixes)Foi observado que os machos mais inteligentes atraiam mais as fêmeas, elas tendiam a ficar mais próximas a eles. Os pesquisadores acreditam que esta inteligência pode ser mostrada pelo macho através de movimentos corporais na hora da conquista, além disso, machos mais inteligentes ocupavam posições de dominância com maior frequência. Porém, ainda está um pouco obscuro qual fator que externa essa inteligência. Agora, você que sempre se achou um nerd e não pegava ninguém sabe que o problema é como externar sua inteligência. Inteligente do jeito que você deve ser, teste movimentos sensuais ou tente ocupar cargos de líder. Se isso tudo não funcionar, comesse a achar que você não é tão inteligente assim, e aliado a uma carcaça não tão agradável, as coisas não ficam são fáceis. Agora, por favor, não use a cantada de que está comprovado cientificamente que os inteligentes são mais atraentes para chegar naquela garota bonita tomando um drink na balcão da boate, muito menos naquela que está dançando na pista. A palavra "cientificamente" não faz muito sucesso em locais escuros, repleto de álcool e música alta.Referência:


Shohet, A., & Watt, P. (2009). Female guppies

prefer males that can learn fast
Journal of Fish Biology, 75 (6), 1323-1330 DOI: 10.1111/j.1095-8649.2009.02366.x Read the comments on this post...

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  • November 24, 2009
  • 07:47 PM
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150 anos de "Origem das espécies" e 200 anos da "Teoria da Evolução"

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Para quem ainda não sabe, hoje comemoramos 150 anos da publicação de um dos livros mais importantes de todos os tempos, não só para a ciência, mas para diversas áreas do conhecimento. O biólogo e divulgador científico Richard Dawkins no seu livro "O Capelão do Diabo" até classifica o darwinismo como uma "verdade universal", proposta por um dos maiores pensadores de todos os tempos. Extremista ou não, o fato é que a importância de Darwin para o melhor entendimento da evolução das espécies é marcante. Mas o post de hoje, em plena comemoração pelo livro mais conhecido de Charles Darwin (que era apenas um resumo de suas ideias, como ele mesmo dizia), não será sobre ele. Gostaria de propor hoje a reflexão sobre um personagem menos conhecido pelo público em geral. Não estou falando de Alfred Russel Wallace, co-autor da teoria da evolução. Estou falando do francês Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de la Marck. Ou simplesmente Lamarck, para os íntimos. Este ano comemoramos também os 200 anos de publicação do seu livro "Filosofia Zoológica". Quando lembramos de Lamarck uma imagem vem rapidamente em nossas mentes: Girafas! E é lógico que logo depois lembramos que era uma pessoa que teve uma ideia sobre evolução das espécies... errada. Antes de andar com uma camisa com este logo, leia até o final do postEste relacionamento quase indissociável entre Lamarck e o famoso exemplo das girafas é algo realmente interessante. Tão interessante que foi o material para um artigo publicado por Stephen Jay Gould na revista americana Natural History em 1996, intitulado "O conto mais alto". Segundo o próprio:"Lamarck fez menção aos pescoços das girafas como uma ilustração aproximada do aumento evolutivo pelos efeitos herdados do esforço de vida. Mas toda a sua discussão percorre um parágrafo em um capítulo cheio de exemplos muito mais longos que ele obviamente considerava muito mais importante. Lamarck tinha isso - e absolutamente nada mais - a dizer sobre pescoços de girafas, algumas linhas de especulação nunca pretendida como a peça central de uma teoria."Stephen Jay Gould, The Tallest Tale (1996)Além de Lamarck nunca ter dado muita importância para o exemplo das girafas, o caminho evolutivo para os longos pescoços que vemos nos mamíferos mais altos do planeta é algo ainda em aberto. A resposta de Darwin, segundo os livros didáticos, ao exemplo feio, sujo e burro de Lamarck seria de que haveria no passado girafas com pescoços de diferentes tamanhos. Estes pescoços de tamanhos diferenciados surgiram de mutações aleatórias e os animais de pescoço mais longo foram selecionados pois eram os únicos que conseguiam se alimentar das folhas das árvores altas. As girafas avantajadas passariam esta informação genética para os seus descendentes. Bonito, não é? Mas parece que a história não é tão simples assim. O próprio Darwin não utilizou este exemplo na primeira edição do origem das espécies e, mais tarde, passou a defender que a competição das girafas com outros animais herbívoros (por tanto, interespecífica) é que resultou na seleção de girafas com pescoços mais altos. Esta hipótese foi questionada por um artigo publicado na American Naturalist de 1996, abrindo caminho para uma nova possível explicação: a seleção sexual. Segundo Robert Simmons e Lue Scheepers, girafas macho investem mais em pescoços longos do que as fêmeas, sendo um sinal de que o tamanho do pescoço é um parâmetro utilizado em disputas reprodutivas entre girafas machos. Esta hipótese foi enfraquecida por um artigo publicado na revista Journal of Zoology em 2007, que mostrou dados experimentais que não diferenciam o tamanho de pescoço de girafas machos e fêmeas. Machos mais velhos até teriam pescoços mais pesados, mas não mais longos. Parece que a pergunta infantil "Porque a girafa tem o pescoço tão longo?" continuará em aberto por algum tempo.Primeiro mal entendido desfeito, vamos tentar refletir sobre a importância de Lamarck para a teoria da evolução. Todos sabemos que Darwin e Wallace não surgiram com suas ideias de um dia para o outro, que muitos nomes importantes enfrentaram conjunturas até mais difíceis para defender suas ideias pouco ortodoxas, mas algo de especial existe neste naturalista francês. Segundo o grande biólogo Ernst Mayr:"Parece-me que Lamarck tem uma reivindicação muito melhor para ser designado 'o fundador da teoria da evolução' (...). Todos os outros antes dele tinham discutido a evolução en passant incidentalmente em outros temas ou utilizando termos poéticos ou metafóricos. Ele foi o primeiro autor a dedicar um livro inteiro principalmente à apresentação de uma teoria da evolução orgânica. Ele foi o primeiro a apresentar todo o sistema de animais como um produto da evolução."Ernst Mayr, Lamarck Revisited (1972)Eu e o Lamarck em outubro deste ano. Jardin des plantes, Paris, França.Claro que Lamarck teve falhas, principalmente na explicação da evolução orgânica,  mas muitas destas foram superestimadas ao longo do tempo, contribuindo para a má compreensão da importância histórica do trabalho de Lamarck. Ele não nos trouxe uma boa explicação sobre a origem das espécies (na verdade nem era o seu intuito). Ele defendia que as espécies evoluiam de forma direcional, como se fosse uma escada rolante, onde os seres menos complexos evoluiriam em direção a perfeição. Além disso, segundo Lamarck o fator que mais contrubuiria para a evolução da espécies seria a famosa "Lei do uso e desuso". Esta ideia, normalmente utilizada para diminuir a importância de Lamarck, foi utilizado em nada mais nada menos do que 13 páginas da primeira edição do "Origem das espécies" por Darwin, para explicar os seus exemplos. Já em relação ao mecanismo de hereditariedade, ambos os autores tiveram dificuldades de argumentação, sendo Lamarck o mais contido sobre o tema."Ao Fundador da Doutrina da Evolução" - Detalhe do pedestal da estátua de Lamarck. Jardin des plantes, Paris, França.Para fechar este post em homenagem a obra que há 200 anos abriu caminho para a teoria da evolução, a opnião de Ernst Mayr sobre um dos nomes mais injustiçados da história da biologia: "(...) Foi Lamarck quem, desafiando o Zeitgeist preservou e propagou um conjunto de idéias impopulares entre os criacionistas, catastrofistas, e essencialistas. Curiosamente, Lamarck foi a maior parte das vezes mais correto onde ele mais diferia das ideias estabelecidas, como no seu apoio ao evolucionismo e uniformitarismo, enquanto os erros por quais ele é mais lembrado, como o uso e o desuso, a herança dos caracteres adquiridos, e grande parte de sua fisiologia, não eram de todo original dele, mas representavam ideias amplamente utilizadas, meramente adotadas por Lamarck. (...) Como todas as grandes figuras da história das ideias, Lamarck foi tanto o ponto final de uma longa história antecedente, bem como o ponto de partida para novos desenvolvimentos."Ernst Mayr, Lamarck Revisited (1972)Será que não seria melhor ensinar aos nossos alunos sobre o quão é interessante a história da ciência? Não podemos deixar mais nossos alunos acharem que Lamarck e muitos outros contribuintes da teoria da evolução sejam apenas pessoas que tiveram ideias erradas ou, como afirma a camiseta, "dumbass" ou "estúpido". Ensinar como ocorre o progresso do conhecimento científico pode ser a base da formação de alunos mais críticos e menos intolerantes. Não só em relação a ciência, mas em todas as áreas.Referências:... Read more »

Mayr, E. (1972) Lamarck revisited. Journal of the History of Biology, 5(1), 55-94. DOI: 10.1007/BF02113486  

Mitchell, G., van Sittert, S., & Skinner, J. (2009) Sexual selection is not the origin of long necks in giraffes. Journal of Zoology, 278(4), 281-286. DOI: 10.1111/j.1469-7998.2009.00573.x  

  • October 14, 2009
  • 10:29 AM
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Se o único problema é falta de água, é porque não sabíamos da falta e do excesso de fosfato

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

É inegável que a disponibilidade de água potável será motivo para grandes disputas entre nações. Grande parte dos conflitos no oriente médio tem como causa não-tanto-divulgada a disponibilidade de água potável. A produção de alimentos depende primordialmente desta disponibilidade. Israel possui tecnologia avançadíssima no que diz respeito a técnicas de irrigação em ambientes quase desérticos, produzindo grandes colheitas. Porém, a disponibilidade de água não é o único fator limitante para produção de alimentos. Recentemente, a disponibilidade de fosfato tem tirado o sono de alguns pesquisadores ao redor do mundo. O fosfato (PO43-) é um íon extremamente importante para os seres vivos. Por exemplo, ele é um dos componentes de um nucleotídeo (unidade básica de DNA ou RNA). Além disso, a moeda energética (o composto principal que transporta energia) do nosso corpo, o ATP (adenosina tri-fosfato), possui 3 fosfatos em sua composição. Ao desprender um desses fosfato (se tornando uma adenosina di-fosfato [ADP]) libera energia para que ocorram reações químicas importantíssimas para o metabolismo dos seres vivos. O ciclo do fósforo é bem simples, tendo sua origem em rochas fosfatadas. Porém é aí que mora o problema. A descoberta de que se adicionando fosfato em nossas lavouras, teríamos maior produtividade (vulgo fertilização), levou a uma corrida desenfreada em busca de fósforo. Quanto mais achássemos, maior seriam nossas colheitas, e assim, mais seres humanos seriam possíveis de existir na Terra. Lembram-se de Malthus? Mas como dito anteriormente, a origem do fosfato são rochas, com isso, classificamos como uma fonte de recursos não-renovável, apesar de ter uma parte biólogica regulando o ciclo. Acredita-se que com o atual crescimento da taxa de demanda de fosfato para agricultura, nossas reservas tem tempo de vida de 100 a 150 anos. E a partir desses cenários preocupantes? Como ficaremos? É aí que entra Don Mavinic. Don é um engenheiro civil que trabalhava em uma usina de tratamente de água e se deparava com um problema muito comum. Dentro dos canos, ocorria a formação de um precipatdo denso de cor escura. Esse composto é chamado de estruvita e é formado pela ação bacteria de "se alimentar"do esgoto que está sendo tratado. Don, que em um primeiro momento, foi trabalhava para se livrar desse incômodo, constatou que a coisa não era somente lixo. A estruvita é rica em fosfato, só que além disso, é rica também em magnésio e amônia. Ambos também nutrientes essenciais para o crescimento vegetal. Estruvita dentro de canos de estação de tratamento de esgoto Don estima que se o Canadá recuperar essa fonte de fosfato de suas estações de tratamento, pode ter uma fonte que alimente 30% da demanda atual de fosfato deste país. Esta ainda é uma fonte que necessita de mais pesquisa, mas que não é por isso que não seja levada em consideração no atual cenário de super demanda por fosfato (principalmente da China). Mas o que fosfato tem em relação a questões ecológicas? Por ser um elemento limitante, e por isso, adicionado em excesso em plantações para aumento da produtividade, a fosfato pode ter destinos bastante danosos para o ambiente. Ao ser lixiviado para ambientes aquáticos, esses fertilizantes estimulam o crescimento desenfreado de produtores primários (algas e plantas aquáticas). Esse fenômeno é chamado de eutrofização artificial. Um exemplo carioca clássico é a lagoa Rodrigo de Freitas, apesar da origem desse excesso de fósforo ser o esgoto domético. A coloração de suas águas lembram uma sopa de ervilha, devido ao gigantesco crescimento algal. Com a formação do espesso filme algal (barreira para penetração mais profunda de luz solar) e posterior morte dessa grande biomassa (consumo de oxigênio pela decomposição), zonas de anoxia (falta de oxigênio) são formadas levando a episódios recorrentes de mortandade de peixes.  Vai uma peixinho frito?Deste modo, entendemos que a dinâmica ecológica de nutrientes e seus respectivos ciclos são bastante complexas. Nesse post, enfatizei o papel do fósforo, mas outro importante nutriente limitante, o Nitrogênio, também pode causar os mesmos efeitos. Apesar da origem do nitrogênio orgânico ser preponderantemente biológico (bactérias fixadoras de nitrogênio).Ecologia não se resume somente em estudar animais ou plantas, mas também ciclos biogeoquímicos (parte esta que eu mais gosto e que tenho mestrado). Nem todo biólogo é caçador de borboleta, bem como, nem todo ecólogo trabalha com animais ou plantas!Referência:

Gilbert, N. (2009). Environment: The disappearing nutrient Nature, 461 (7265), 716-718 DOI: 10.1038/461716a Read the comments on this post...

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Gilbert, N. (2009) Environment: The disappearing nutrient. Nature, 461(7265), 716-718. DOI: 10.1038/461716a  

  • August 24, 2009
  • 04:26 AM
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Sexo selvagem: como fazer seu parceiro perder a cabeça

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Clique para ampliar. Fonte: Non sequiturPlaca: Louva-a-deus Bar e Grill - Noite das mulheres"Cara...olha só! Até o Ralph consegue se dar bem aqui!"A dica para fazer seu parceiro perder a cabeça é simples. Se você acredita em reencarnação, torça para na próxima você ser um louva-a-deus. Fêmea, é claro. Esta é uma das maneiras de você conseguir fazer o seu parceiro perder a cabeça de forma não metafórica. Para entender melhor o porquê disso e a piada do cartoon acima, continue lendo o post. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...

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  • August 20, 2009
  • 11:59 AM
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Gripe suína mata nos oceanos?

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Nós, humanos, sabemos bem o que os virus podem causar conosco. O surto de gripe suína atormenta nossa sociedade. Porém a influência dos virus não para por aí. Nos oceanos, essas partículas possuem papel importantíssimo no ciclo do carbono. É claro que esse tipo de virus que atua nos oceanos não é o mesmo do Influenza, mas o "estrago" é muito pior. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...

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Danovaro, R., Dell’Anno, A., Corinaldesi, C., Magagnini, M., Noble, R., Tamburini, C., & Weinbauer, M. (2008) Major viral impact on the functioning of benthic deep-sea ecosystems. Nature, 454(7208), 1084-1087. DOI: 10.1038/nature07268  

  • July 14, 2009
  • 10:08 PM
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Sobre Hotspots de Biodiversidade e conservação

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Venho discutindo nas últimas semanas a nossa maneira de priorizar a conservação das espécies. Comecei falando sobre como tendemos a focar nosso interesse apenas em salvar espécies bonitas e fofas, nos esquecendo das feias. Depois mostrei um cartoon do ilustrador finlandês Seppo que trata das espécies ameaçadas não lucrativas e como elas são deixadas de lado. Hoje vou falar sobre um verdadeiro "saco de gatos", o termo Hotspot de Biodiversidade. Fiz uma pesquisa no último post que propositalmente coloca este termo sem explicar o que ele realmente significa. As respostas foram muito interessantes e mostram um pouco como esta confusão em relação ao termo pode direcionar o que as pessoas pensam não só sobre os biomas brasileiros, mas sobre como devemos investir na conservação de espécies no em todo o mundo. Na continuação deste post vou falar um pouco sobre o histórico do conceito de Hotspot de Biodiversidade, o cenário atual e as devidas críticas. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...... Read more »

Krishnankutty, N., & Chandrasekaran, S. (2007) Biodiversity hotspots: Defining the indefinable?. Current Science, 92(10), 1344-1345.

Myers, N., Mittermeier, R., Mittermeier, C., da Fonseca, G., & Kent, J. (2000) Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, 403(6772), 853-858. DOI: 10.1038/35002501  

Orme, C., Davies, R., Burgess, M., Eigenbrod, F., Pickup, N., Olson, V., Webster, A., Ding, T., Rasmussen, P., Ridgely, R.... (2005) Global hotspots of species richness are not congruent with endemism or threat. Nature, 436(7053), 1016-1019. DOI: 10.1038/nature03850  

  • July 7, 2009
  • 03:59 PM
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Código de barras genético: identificando espécies

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Códigos de barras são comumente usados em nossa sociedade. Eles servem como identificação de um produto: preço e tipo. Agora, podemos imaginar uma tecnologia dessas identificando seres vivos? Calma, calma. Não é algo parecido com o que os nazistas fizeram com os judeus em campos de concentração (tipo uma tatuagem). Estamos falando de um código de barras genético. Este conceito se baseia em regiões do genoma de seres vivos que seriam usadas para identificar uma espécie, isto é, cada espécie teria uma sequência de pares de bases específica numa dada região analisada. Por exemplo, para animais seria uma sequência de 658 pares de bases presentes no gene que codifica a enzima citocromo C oxidase (componente de cadeia respiratória). Para vegetais, essa região ainda é questão de debates, sendo possível serem usadas mais de uma para identificação. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...... Read more »

VALENTINI, A., POMPANON, F., & TABERLET, P. (2009) DNA barcoding for ecologists. Trends in Ecology , 24(2), 110-117. DOI: 10.1016/j.tree.2008.09.011  

  • June 3, 2009
  • 07:05 AM
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A linguagem da dança em abelhas

by Luiz Bento in Discutindo Ecologia

Muito se fala da linguagem humana como algo extraordinário e sem igual na natureza. Conseguimos passar informações para outros seres humanos através de várias maneiras, como a escrita, fala, gestos, expressões. Fazemos até testes em outros primatas para ver como a nossa impressionante forma de passar informação pode ter evoluído ao longo do tempo. Não só com primatas. Outros mamíferos como os golfinhos e as baleias são considerados exímios comunicadores. Mas será que a passagem de informação se desenvolveu apenas nos grandes mamíferos?
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