31 posts · 16,774 views
Discutindo Ecologia
31 posts
Sort by Latest Post, Most Popular
View by Condensed, Full
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
O título deste post não é um paradoxo. Oceanógrafos da Universidade de Santa Cruz, Califórnia descobriram um novo grupo de algas cianofíceas (mais conhecidas como cianobactérias) que não apresentam boa parte dos genes necessários para o funcionamento do fotossistema II e para a fixação de carbono, essenciais para o processo de fotossíntese tanto em cianobactérias quanto em plantas superiores. O estudo foi publicado semana passada no periódico Science.... Read more »
Zehr, J., Bench, S., Carter, B., Hewson, I., Niazi, F., Shi, T., Tripp, H., & Affourtit, J. (2008) Globally Distributed Uncultivated Oceanic N2-Fixing Cyanobacteria Lack Oxygenic Photosystem II. Science, 322(5904), 1110-1112. DOI: 10.1126/science.1165340
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Uma das mais intrigantes discussões científicas dos últimos anos esteve focada em quando e como ocorreu a alteração de uma atmosfera praticamente anóxica para uma formada por 21% de oxigênio. Pensar em um tempo geológico em que este gás praticamente não estava presente é um exercício fascinante. Uma fração considerável da vida (excluindo parte das bactérias, que podem tirar energia de praticamente tudo) precisa oxidar a matéria orgânica com o oxigênio para obter energia. Sendo assim, sem a presença de oxigênio na atmosfera, boa parte da vida pluricelular como conhecemos hoje seria inviável.... Read more »
Brocks, J. (1999) Archean Molecular Fossils and the Early Rise of Eukaryotes. Science, 285(5430), 1033-1036. DOI: 10.1126/science.285.5430.1033
Fischer, W. (2008) Biogeochemistry: Life before the rise of oxygen. Nature, 455(7216), 1051-1052. DOI: 10.1038/4551051a
Rasmussen, B., Fletcher, I., Brocks, J., & Kilburn, M. (2008) Reassessing the first appearance of eukaryotes and cyanobacteria. Nature, 455(7216), 1101-1104. DOI: 10.1038/nature07381
Falkowski, P., & Isozaki, Y. (2008) GEOLOGY: The Story of O2. Science, 322(5901), 540-542. DOI: 10.1126/science.1162641
Kump, L. (2008) The rise of atmospheric oxygen. Nature, 451(7176), 277-278. DOI: 10.1038/nature06587
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Desde a minha época de colégio já tratava-se o tema como algo "ultrapassado". Se você chamasse a Amazônia de o "pulmão do mundo" era considerado no mínimo muito desinformado. Qualquer professor de biologia de colégio iria trazer a luz para os seus alunos dizendo: "A floresta amazônica respira todo o oxigênio que produz via fotossíntese. Sendo assim ela é neutra". Bem, o cálculo não é tão simples assim.... Read more »
Luyssaert, S., Schulze, E., Börner, A., Knohl, A., Hessenmöller, D., Law, B., Ciais, P., & Grace, J. (2008) Old-growth forests as global carbon sinks. Nature, 455(7210), 213-215. DOI: 10.1038/nature07276
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
No final do último mês fiz um post bem extenso sobre os mecanismos químicos e biológicos que resultam na alteração de cor e na queda de folhas no outono. É um assunto muito interessante e bem controverso, pois existem muitas hipóteses sobre quais seriam os mecanismos responsáveis por este padrão marcante na natureza. A pergunta mais recorrente é "Porque uma folha teria um gasto energético para efetuar a troca de coloração, se a folha tende a cair?". Uma das hipóteses mais interessantes (e mais controversas) para responder a esta pergunta relaciona a coloração das folhas e insetos que depositam seus ovos nestes vegetais. O outono é justamente a época do ano que os insetos (no caso os afídeos) procuram folhas para depositar os seus ovos. A cor vermelha seria uma espécie de sinal para os insetos de que as folhas desta planta teriam uma baixa qualidade nutricional. Desta forma, os insetos tenderiam a procurar plantas com folhas verdes, devido a esta pressão seletiva. Sendo uma hipótese relativamente recente, faltavam estudos que dessem suporte a este mecanismo coevolutivo. Mas como testar de forma eficiente esta hipótese? A ideia de Marco Andretti (o mesmo autor das revisões citadas no post anterior) foi utilizar uma alteração genética natural, realizada por centenas de anos pelos seres humanos. O seu trabalho foi publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B.... Read more »
Archetti, M. (2009) Evidence from the domestication of apple for the maintenance of autumn colours by coevolution. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 276(1667), 2575-2580. DOI: 10.1098/rspb.2009.0355
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
A primeira coisa que pensamos quando lemos o termo "autotrófico" é em plantas. No máximo em microalgas. Alguns pensariam que também existem bactérias que fazem fotossíntese e se encaixariam nesta classificação. Mas vamos tentar entender a origem deste termo.... Read more »
Dubilier, N., Bergin, C., & Lott, C. (2008) Symbiotic diversity in marine animals: the art of harnessing chemosynthesis. Nature Reviews Microbiology, 6(10), 725-740. DOI: 10.1038/nrmicro1992
Jones, R., Carter, C., Kelly, A., Ward, S., Kelly, D., & Grey, J. (2008) WIDESPREAD CONTRIBUTION OF METHANE-CYCLE BACTERIA TO THE DIETS OF LAKE PROFUNDAL CHIRONOMID LARVAE. Ecology, 89(3), 857-864. DOI: 10.1890/06-2010.1
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Muito se fala da linguagem humana como algo extraordinário e sem igual na natureza. Conseguimos passar informações para outros seres humanos através de várias maneiras, como a escrita, fala, gestos, expressões. Fazemos até testes em outros primatas para ver como a nossa impressionante forma de passar informação pode ter evoluído ao longo do tempo. Não só com primatas. Outros mamíferos como os golfinhos e as baleias são considerados exímios comunicadores. Mas será que a passagem de informação se desenvolveu apenas nos grandes mamíferos?
... Read more »
Grüter, C., & Farina, W. (2009) The honeybee waggle dance: can we follow the steps?. Trends in Ecology , 24(5), 242-247. DOI: 10.1016/j.tree.2008.12.007
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Mais de 10 anos se passaram desde que Gould escreveu esta frase em um dos seus marcantes livros de divulgação científica e parece que grande parte da população humana (incluindo biólogos) ainda não despertou para o tema. Nós somos apenas um mísero galho de uma grande e robusta árvore formada em grande parte pela vasta diversidade microbiana. E é sobre isso que este post irá tratar.... Read more »
C R Woese, & G E Fox. (1977) Phylogenetic structure of the prokaryotic domain: the primary kingdoms. PNAS, 74(11), 5088-5090. DOI: http://www.pnas.org/content/74/11/5088.abstract?sid
C R Woese, O Kandler, & M L Wheelis. (1990) Towards a natural system of organisms: proposal for the domains Archaea, Bacteria, and Eucarya. PNAS.
C R Woese, O Kandler, & M L Wheelis. (1990) Towards a natural system of organisms: proposal for the domains Archaea, Bacteria, and Eucarya. PNAS, 87(12), 4576-4579. DOI: http://www.pnas.org/content/87/12/4576.abstract
C R Woese. (1998) Default taxonomy: Ernst Mayr’s view of the microbial world. PNAS, 95(19), 11043-11046. DOI: http://www.pnas.org/content/95/19/11043.full
C R Woese. (1998) The universal ancestor. PNAS, 95(12), 6854-6859. DOI: http://www.pnas.org/content/95/12/6854.full
Goldenfeld, N., & Woese, C. (2007) Biology's next revolution. Nature, 445(7126), 369-369. DOI: 10.1038/445369a
Vetsigian, K. (2006) Collective evolution and the genetic code. Proceedings of the National Academy of Sciences, 103(28), 10696-10701. DOI: 10.1073/pnas.0603780103
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Esta é a idéia das empresas que vivem da caça de baleias no Japão. O argumento é simples. Cientistas japoneses (coincidência?) fizeram estudos com conteúdo estomacal de baleias e estimaram que estes animais consomem uma quantidade de peixe muito maior do que a soma da produção pesqueira global. Então a indústria baleeira japonesa chegou à fantástica conclusão: a caça às baleias é boa para o planeta. Como as baleias diminuem o estoque pesqueiro mundial, temos que caçar elas para que não fiquemos sem peixes! Ótima conclusão. Muito parecida com a decisão dos motoristas de táxi do Rio de Janeiro que andam com o adesivo: "Eu apoio a lei seca!".... Read more »
Gerber, L., Morissette, L., Kaschner, K., & Pauly, D. (2009) ECOLOGY: Should Whales Be Culled to Increase Fishery Yield?. Science, 323(5916), 880-881. DOI: 10.1126/science.1169981
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Para mim, a união das palavras "consenso" e "ciência" é muito difícil. Concordo com o João, do Crônica da Ciência, que um consenso científico seria "(..) um conjunto de teorias ou teoria que a maioria de cientistas de uma determinada área suporta como sendo as melhores nessa mesma área, num dado momento". O problema neste caso, está relacionado a como este "consenso" é transmitido para o público geral. Sendo assim, toda e qualquer notícia relacionada a estudos científicos deve ser encarada não como uma verdade absoluta, mas como um argumento, uma idéia, que pode ser mais ou menos plausível, dependendo do caso.... Read more »
van Hoof, T., Wagner-Cremer, F., Kurschner, W., & Visscher, H. (2008) A role for atmospheric CO2 in preindustrial climate forcing. Proceedings of the National Academy of Sciences, 105(41), 15815-15818. DOI: 10.1073/pnas.0807624105
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
ResearchBlogging.orgNo último mês o periódico americano Science publicou um artigo que relata mais uma tentativa de melhorar o nosso entendimento sobre um dos mecanismos mais comuns e visíveis da natureza. A senescência sazonal das folhas das plantas, principalmente de espécies características de clima temperado. O trabalho de JH Kim e colaboradores coreanos analisou a cadeia de eventos que regulam este processo em plantas normais e em mutantes, onde as folhas demoravam mais tempo para morrer.... Read more »
Kim, J., Woo, H., Kim, J., Lim, P., Lee, I., Choi, S., Hwang, D., & Nam, H. (2009) Trifurcate Feed-Forward Regulation of Age-Dependent Cell Death Involving miR164 in Arabidopsis. Science, 323(5917), 1053-1057. DOI: 10.1126/science.1166386
Archetti, M., Döring, T., Hagen, S., Hughes, N., Leather, S., Lee, D., Lev-Yadun, S., Manetas, Y., Ougham, H., & Schaberg, P. (2009) Unravelling the evolution of autumn colours: an interdisciplinary approach. Trends in Ecology , 24(3), 166-173. DOI: 10.1016/j.tree.2008.10.006
Archetti, M. (2009) Classification of hypotheses on the evolution of autumn colours. Oikos, 118(3), 328-333. DOI: 10.1111/j.1600-0706.2008.17164.x
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Códigos de barras são comumente usados em nossa sociedade. Eles servem como identificação de um produto: preço e tipo. Agora, podemos imaginar uma tecnologia dessas identificando seres vivos? Calma, calma. Não é algo parecido com o que os nazistas fizeram com os judeus em campos de concentração (tipo uma tatuagem). Estamos falando de um código de barras genético. Este conceito se baseia em regiões do genoma de seres vivos que seriam usadas para identificar uma espécie, isto é, cada espécie teria uma sequência de pares de bases específica numa dada região analisada. Por exemplo, para animais seria uma sequência de 658 pares de bases presentes no gene que codifica a enzima citocromo C oxidase (componente de cadeia respiratória). Para vegetais, essa região ainda é questão de debates, sendo possível serem usadas mais de uma para identificação. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...... Read more »
VALENTINI, A., POMPANON, F., & TABERLET, P. (2009) DNA barcoding for ecologists. Trends in Ecology , 24(2), 110-117. DOI: 10.1016/j.tree.2008.09.011
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Nós, humanos, sabemos bem o que os virus podem causar conosco. O surto de gripe suína atormenta nossa sociedade. Porém a influência dos virus não para por aí. Nos oceanos, essas partículas possuem papel importantíssimo no ciclo do carbono. É claro que esse tipo de virus que atua nos oceanos não é o mesmo do Influenza, mas o "estrago" é muito pior. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...
... Read more »
Danovaro, R., Dell’Anno, A., Corinaldesi, C., Magagnini, M., Noble, R., Tamburini, C., & Weinbauer, M. (2008) Major viral impact on the functioning of benthic deep-sea ecosystems. Nature, 454(7208), 1084-1087. DOI: 10.1038/nature07268
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
ResearchBlogging.orgDefinitivamente a hereditariedade é um conceito que Darwin nunca entendeu corretamente. E não podemos dizer que as tentativas foram poucas. Dois volumes inteiros publicados em 1868 foram dedicados a isso, sob o nome de "A variação dos animais e plantas sob domesticação", além de vários experimentos feitos na sua casa em Down (sua última residência) sobre este mesmo tema.... Read more »
Howard, J. (2009) Why didn't Darwin discover Mendel's laws?. Journal of Biology, 8(2), 15. DOI: 10.1186/jbiol123
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
A primeira coisa que vem na minha cabeça quando eu penso no título deste post é "Para que?". Se o organismo em questão é unicelular por que ele seguiria um mecanismo de morte celular programada? Seria um suicídio programado ?... Read more »
Lane, N. (2008) Marine microbiology: Origins of Death. Nature, 453(7195), 583-585. DOI: 10.1038/453583a
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Diante deste cenário desolador da COP-15, esta semana foi publicado um artigo na revista Science com diretrizes que o Brasil deve tomar para acabar com o desmatamento na Amazônia. Como se sabe, 80% das emissões de gases estufa do Brasil são advindos do desmatamento (queimadas ou derruba de árvores) da floresta. Uma primeira ação foi a criação do fundo Amazônico. Este fundo tem como objetivo captar investimentos para prevenção do desmatamento e estímulo da conservação e uso sustentável da floresta. Quem vai administrar o dinheiro que entrar é o BNDES e, no primeiro momento, a Noruega já investiu 1 bilhão de dólares. A segunda ação é a exclusão da cadeia de suprimentos do mercado de carne bovina e de soja de fornecedores que desmatem aéreas de floresta. Com estas duas ações, o estudo indica que é possível acabar com o desmatamento na floresta amazônica e com isso reduzir entre 2-5% das emissões globais de gases estufa.Gráfico com o possível cenário de fim do desmatamento em 2020Para quem acha que isso é um número desconcertante, o Brasil entre 1996 e 2005 desmatou a uma taxa de 19.500 Km2/ano. Essa conversão em pasta e áreas de cultivo liberou para atmosfera entre 0,7-1,4 GtCO2e (gigatoneladas de CO2 equivalente) por ano para atmosfera. Em 2008, na criação do fundo amazônico, nosso país se comprometeu a reduzir o desmatamento em 20% da taxa histórica (1996-2005) até 2020. Além disso, o estudo indica a necessidade da compensação financeira dos povos nativos da floresta quando estes mantiverem, em suas propriedades, áreas de preservação. Por uma bagatela de aproximadamente 12 bilhões de dólares para serem investidos entre 2010 e 2020 para o possível término do desmatamento nesta região, o estudo também revela que esta ação poderá gerar receitas entre 37-111 bilhões de dólares. Porém, os próprios pesquisadores admitem que seria "uma façanha extraordinária e extremamente difícil, talvez única na história do avanço de fronteiras agropecuárias".Diante do fracasso da COP-15, onde Obama somente repetiu o que o mundo todo já sabia e continuou seu jogo de empurra com a China, o presidente Lula fez um discurso histórico. Lembrando ao mundo os 200 anos de emissões descontroladas dos países desenvolvidos e suas resistências em querer mitigar o probelma que causaram. Assisti também uma entrevista do ministro Carlos Minc desesperado em tentar conseguir pelo menos um pequenino acordo entre alguns países, mas, como ele mesmo repetiu 4 vezes, acordo este muito aquém do que o IPCC recomenda como mínimo de redução do emissões para as temperaturas globais não subiram acima dos assustadores 4°C. Como já discutido aqui neste blog, a COP-15 tende ao fracasso absoluto, os grandes líderes mundiais não chegaram a nenhum acordo devido interesses econômicos. Que venham mais conferências inúteis como essa! Quem sabe um dia algo sério seja firmado. Referência:Nepstad, D., Soares-Filho, B., Merry, F., Lima, A., Moutinho, P., Carter, J., Bowman, M., Cattaneo, A., Rodrigues, H., Schwartzman, S., McGrath, D., Stickler, C., Lubowski, R., Piris-Cabezas, P., Rivero, S., Alencar, A., Almeida, O., & Stella, O. (2009). The End of Deforestation in the Brazilian Amazon Science, 326 (5958), 1350-1351 DOI: 10.1126/science.1182108 Read the comments on this post...
... Read more »
Nepstad, D., Soares-Filho, B., Merry, F., Lima, A., Moutinho, P., Carter, J., Bowman, M., Cattaneo, A., Rodrigues, H., Schwartzman, S.... (2009) The End of Deforestation in the Brazilian Amazon. Science, 326(5958), 1350-1351. DOI: 10.1126/science.1182108
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
É inegável que a disponibilidade de água potável será motivo para grandes disputas entre nações. Grande parte dos conflitos no oriente médio tem como causa não-tanto-divulgada a disponibilidade de água potável. A produção de alimentos depende primordialmente desta disponibilidade. Israel possui tecnologia avançadíssima no que diz respeito a técnicas de irrigação em ambientes quase desérticos, produzindo grandes colheitas. Porém, a disponibilidade de água não é o único fator limitante para produção de alimentos. Recentemente, a disponibilidade de fosfato tem tirado o sono de alguns pesquisadores ao redor do mundo. O fosfato (PO43-) é um íon extremamente importante para os seres vivos. Por exemplo, ele é um dos componentes de um nucleotídeo (unidade básica de DNA ou RNA). Além disso, a moeda energética (o composto principal que transporta energia) do nosso corpo, o ATP (adenosina tri-fosfato), possui 3 fosfatos em sua composição. Ao desprender um desses fosfato (se tornando uma adenosina di-fosfato [ADP]) libera energia para que ocorram reações químicas importantíssimas para o metabolismo dos seres vivos. O ciclo do fósforo é bem simples, tendo sua origem em rochas fosfatadas. Porém é aí que mora o problema. A descoberta de que se adicionando fosfato em nossas lavouras, teríamos maior produtividade (vulgo fertilização), levou a uma corrida desenfreada em busca de fósforo. Quanto mais achássemos, maior seriam nossas colheitas, e assim, mais seres humanos seriam possíveis de existir na Terra. Lembram-se de Malthus? Mas como dito anteriormente, a origem do fosfato são rochas, com isso, classificamos como uma fonte de recursos não-renovável, apesar de ter uma parte biólogica regulando o ciclo. Acredita-se que com o atual crescimento da taxa de demanda de fosfato para agricultura, nossas reservas tem tempo de vida de 100 a 150 anos. E a partir desses cenários preocupantes? Como ficaremos? É aí que entra Don Mavinic. Don é um engenheiro civil que trabalhava em uma usina de tratamente de água e se deparava com um problema muito comum. Dentro dos canos, ocorria a formação de um precipatdo denso de cor escura. Esse composto é chamado de estruvita e é formado pela ação bacteria de "se alimentar"do esgoto que está sendo tratado. Don, que em um primeiro momento, foi trabalhava para se livrar desse incômodo, constatou que a coisa não era somente lixo. A estruvita é rica em fosfato, só que além disso, é rica também em magnésio e amônia. Ambos também nutrientes essenciais para o crescimento vegetal. Estruvita dentro de canos de estação de tratamento de esgoto Don estima que se o Canadá recuperar essa fonte de fosfato de suas estações de tratamento, pode ter uma fonte que alimente 30% da demanda atual de fosfato deste país. Esta ainda é uma fonte que necessita de mais pesquisa, mas que não é por isso que não seja levada em consideração no atual cenário de super demanda por fosfato (principalmente da China). Mas o que fosfato tem em relação a questões ecológicas? Por ser um elemento limitante, e por isso, adicionado em excesso em plantações para aumento da produtividade, a fosfato pode ter destinos bastante danosos para o ambiente. Ao ser lixiviado para ambientes aquáticos, esses fertilizantes estimulam o crescimento desenfreado de produtores primários (algas e plantas aquáticas). Esse fenômeno é chamado de eutrofização artificial. Um exemplo carioca clássico é a lagoa Rodrigo de Freitas, apesar da origem desse excesso de fósforo ser o esgoto domético. A coloração de suas águas lembram uma sopa de ervilha, devido ao gigantesco crescimento algal. Com a formação do espesso filme algal (barreira para penetração mais profunda de luz solar) e posterior morte dessa grande biomassa (consumo de oxigênio pela decomposição), zonas de anoxia (falta de oxigênio) são formadas levando a episódios recorrentes de mortandade de peixes. Vai uma peixinho frito?Deste modo, entendemos que a dinâmica ecológica de nutrientes e seus respectivos ciclos são bastante complexas. Nesse post, enfatizei o papel do fósforo, mas outro importante nutriente limitante, o Nitrogênio, também pode causar os mesmos efeitos. Apesar da origem do nitrogênio orgânico ser preponderantemente biológico (bactérias fixadoras de nitrogênio).Ecologia não se resume somente em estudar animais ou plantas, mas também ciclos biogeoquímicos (parte esta que eu mais gosto e que tenho mestrado). Nem todo biólogo é caçador de borboleta, bem como, nem todo ecólogo trabalha com animais ou plantas!Referência:
Gilbert, N. (2009). Environment: The disappearing nutrient Nature, 461 (7265), 716-718 DOI: 10.1038/461716a Read the comments on this post...
... Read more »
Gilbert, N. (2009) Environment: The disappearing nutrient. Nature, 461(7265), 716-718. DOI: 10.1038/461716a
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Venho discutindo nas últimas semanas a nossa maneira de priorizar a conservação das espécies. Comecei falando sobre como tendemos a focar nosso interesse apenas em salvar espécies bonitas e fofas, nos esquecendo das feias. Depois mostrei um cartoon do ilustrador finlandês Seppo que trata das espécies ameaçadas não lucrativas e como elas são deixadas de lado. Hoje vou falar sobre um verdadeiro "saco de gatos", o termo Hotspot de Biodiversidade. Fiz uma pesquisa no último post que propositalmente coloca este termo sem explicar o que ele realmente significa. As respostas foram muito interessantes e mostram um pouco como esta confusão em relação ao termo pode direcionar o que as pessoas pensam não só sobre os biomas brasileiros, mas sobre como devemos investir na conservação de espécies no em todo o mundo. Na continuação deste post vou falar um pouco sobre o histórico do conceito de Hotspot de Biodiversidade, o cenário atual e as devidas críticas. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...... Read more »
Krishnankutty, N., & Chandrasekaran, S. (2007) Biodiversity hotspots: Defining the indefinable?. Current Science, 92(10), 1344-1345.
Myers, N. (1988) Threatened Biotas: "Hot Spots" in tropical forests . The Enviromentalist , 187-208. DOI: http://www.springerlink.com/content/y66976j1n1201251/
Myers, N. (1990) The Biodiversity challenge: Expanded Hot-spot analysis. The Enviromentalist , 10(4), 243-256. DOI: http://www.springerlink.com/content/f84g623376724173/
Myers, N., Mittermeier, R., Mittermeier, C., da Fonseca, G., & Kent, J. (2000) Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, 403(6772), 853-858. DOI: 10.1038/35002501
Orme, C., Davies, R., Burgess, M., Eigenbrod, F., Pickup, N., Olson, V., Webster, A., Ding, T., Rasmussen, P., Ridgely, R.... (2005) Global hotspots of species richness are not congruent with endemism or threat. Nature, 436(7053), 1016-1019. DOI: 10.1038/nature03850
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
No livro o Gene Egoísta, Dawkins comenta sobre o efeito que o gene pode ter fora do corpo que o contém, podendo alterar o fenotipo de outros organismos, podendo ser até de uma outra espécie. O artigo que comentarei agora me lembrou isso.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudando a influência do virus do mosaico de côco (VMC) nas suas plantas hospedeiras (abóbora, agora não me pergunte o porquê disso, sendo o côco a planta que vem no nome). Existem dois tipos de comportamento de virus que infectam plantas: o primeiro, chamado de persistente, consiste na planta infectada ficar mais atrativa para afídeos, que ao se alimentar da seiva se contaminam (o virus fica fica residindo na glândula salivar do inseto, após passar pelo seu sistema digestório) e, com isso, podem infectar novas plantas mais tarde; e o segundo, chamado de não-persistente, causa depauperação (as folhas ficam murchinhas), com isso as plantas ficam menos atrativas para os afídeos, além de do virus ficar preso ao aparelho bucal do inseto, sendo necessária que o animal se alimente rapidamente em outra planta para haver a dispersão. Com isso, virus não-persistente devem estimular as plantas a mudarem as substâncias que elas exalam para que o inseto seja repelido o mais rápido possível após se contaminar.
O VMC atua extamente desta maneira, apesar de estar aparentemente "feia", a planta exala grande quantidade de compostos que enganam estes insetos. Pelo o odor e a distância do inseto, parecem estar em perfeita saúde. Mas, ao chegar na planta, o afídeo se alimenta rápido e logo sente que há algo de podre no reino da Dinamarca. Porém, ele já está infectado e parte para outras plantas dispersando rpidamente o virus.
Planta não infectada e infectada pelo CMV (A e B, respectivamente) e a presença de duas espécies de afídeos nelas
Sendo assim, o conjunto de genes que favoreça que o virus a estimular este comportamento nas plantas serão selecionados (admitindo-se que virus estejam sob influência da seleção natural). Só que o alvo desses genes não está no fenótipo do virus (por exemplo, um capsideo mais resistente, ou uma nova fomra de infecção), mas sim no fenótipo da planta (exalará outros tipos de substâncias odoríferas).
Essa mudança de odor de indivíduos infectados é observada em outras doenças também. Por exeplo, hamsters infectados por leishmania atraem mais mosquitos-palhas (vetores da doença) do que indivpiduos saudáveis. Até mesmo em humanos esse comportamento foi verificado, onde crianças infectadas pelo Plasmodium falciparum (causador da malária) atraem mais mosquitos que crianças saudáveis. Desse modo, entender a evolução da interação entre agente, hospdeiro e vetor é de extrema importância para o entendimento de doenças desse tipo.
Referência:
Mauck, K., De Moraes, C., & Mescher, M. (2010). Deceptive chemical signals induced by a plant virus attract insect vectors to inferior hosts Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0907191107
Artigo também comentado no Wired Science Read the comments on this post...
... Read more »
Mauck, K., De Moraes, C., & Mescher, M. (2010) Deceptive chemical signals induced by a plant virus attract insect vectors to inferior hosts. Proceedings of the National Academy of Sciences. DOI: 10.1073/pnas.0907191107
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
Clique para ampliar. Fonte: Non sequiturPlaca: Louva-a-deus Bar e Grill - Noite das mulheres"Cara...olha só! Até o Ralph consegue se dar bem aqui!"A dica para fazer seu parceiro perder a cabeça é simples. Se você acredita em reencarnação, torça para na próxima você ser um louva-a-deus. Fêmea, é claro. Esta é uma das maneiras de você conseguir fazer o seu parceiro perder a cabeça de forma não metafórica. Para entender melhor o porquê disso e a piada do cartoon acima, continue lendo o post. Read the rest of this post... | Read the comments on this post...
... Read more »
Wilder, S., & Rypstra, A. (2008) Sexual Size Dimorphism Predicts the Frequency of Sexual Cannibalism Within and Among Species of Spiders. The American Naturalist, 172(3), 431-440. DOI: 10.1086/589518
Prokop, P., & Václav, R. (2007) Seasonal aspects of sexual cannibalism in the praying mantis (Mantis religiosa). Journal of Ethology, 26(2), 213-218. DOI: 10.1007/s10164-007-0050-3
by Luiz Bento in Discutindo Ecologia
O valor evolutivo da intelegência sempre foi foco de grande interesse. A maioria das mulheres tem a inteligência como um atributo que seu pretendente deve ter para conquistá-la. Shohet e Watt (Universidade de Shffield) realizaram um estudo onde avaliaram a capacidade de aprendizagem de diferentes indivíduos de peixes e testaram se isso tem alguma influência na escolha destes por fêmeas de sua espécie. A espécie usada foi a Poecilia reticulata o famoso Guppy (ou lebiste). Esta espécie é conhecida no meio científico por reconhecer e lembrar de indivíduos do seu grupo, bem como adquirir e usar informações na escola de parceiros e na busca por alimentos. Mas como testar a inteligência dos machos? Não foi com o uso de testes de QI. Os pesquisadores usaram labirintos em aquários, nos quais, ao final da rota, o peixe poderia encontrar alimento. Durante alguns dias, o tempo levado pelo peixinho para encontrar comida nos dois labirintos foi cronometrado. Esta medida indica a capacidade de aprender o caminho para comida nos dois cenários, com isso, machos que demoram menos tempo com o passar dos dias teriam uma capacidade de aprendizagem maior (mais inteligentes). Esta capacidade seria de grande valia na natureza, pois peixes mais inteligentes aprenderiam mais rápido a nadar pela correnteza dos rios, sendo assim mais eficientes na busca por alimentos e mais ágeis na fuga de predadores. Se alimentando melhor, teriam maior tamanho corporal e manchas laranjas maiores (características que deixam as fêmeas dos gupps louquinhas!). Labirintos usados no experimentoE como é avaliado a atratividade de um macho em comparação aos outros? Quem respondeu que é somente ver o saldo bancário de cada um, errou feio. Foi montado um aquário retangular, sendo este dividido em três partes. Em cada uma das pontas ficava um macho que foi avaliado nos labirintos e, na parte central, foi colocada a fêmea. Em um combate de 10 minutos foi anotado a posição da fêmea a cada 15 segundos, assim, se ela ficasse mais interessada por um dos machos, seria percebido pela frequência de aproximação do lado do garanhão.Está comprovado graficamente: inteligentes são mais atraentes (pelo menos para os peixes)Foi observado que os machos mais inteligentes atraiam mais as fêmeas, elas tendiam a ficar mais próximas a eles. Os pesquisadores acreditam que esta inteligência pode ser mostrada pelo macho através de movimentos corporais na hora da conquista, além disso, machos mais inteligentes ocupavam posições de dominância com maior frequência. Porém, ainda está um pouco obscuro qual fator que externa essa inteligência. Agora, você que sempre se achou um nerd e não pegava ninguém sabe que o problema é como externar sua inteligência. Inteligente do jeito que você deve ser, teste movimentos sensuais ou tente ocupar cargos de líder. Se isso tudo não funcionar, comesse a achar que você não é tão inteligente assim, e aliado a uma carcaça não tão agradável, as coisas não ficam são fáceis. Agora, por favor, não use a cantada de que está comprovado cientificamente que os inteligentes são mais atraentes para chegar naquela garota bonita tomando um drink na balcão da boate, muito menos naquela que está dançando na pista. A palavra "cientificamente" não faz muito sucesso em locais escuros, repleto de álcool e música alta.Referência:
Shohet, A., & Watt, P. (2009). Female guppies
prefer males that can learn fast
Journal of Fish Biology, 75 (6), 1323-1330 DOI: 10.1111/j.1095-8649.2009.02366.x Read the comments on this post...
... Read more »
Shohet, A., & Watt, P. (2009) Female guppies prefer males that can learn fast . Journal of Fish Biology, 75(6), 1323-1330. DOI: 10.1111/j.1095-8649.2009.02366.x
Do you write about peer-reviewed research in your blog? Use ResearchBlogging.org to make it easy for your readers — and others from around the world — to find your serious posts about academic research.
If you don't have a blog, you can still use our site to learn about fascinating developments in cutting-edge research from around the world.